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A gigante da indústria de software implementou em seu novo sistema operacional, lançado nacionalmente neste mês, uma infra-estrutura de proteção de conteúdo, há tempos exigida pela indústria de mídia.

O novo recurso, do sistema operacional Vista, utiliza tecnologias como a HDCP (High-Bandiwdth Digital Content Protection) que é uma forma similar ao já conhecido DRM (Digital Rights Management). Essa tecnologia foi desenvolvida pela Intel para controlar os fluxos de áudio e vídeo digital que transitam através de conexões DVI e HDMI, ou seja, utilizando hardware compatível com esta tecnologia, o usuário não poderá copiar ou executar conteúdo de mídia não-assinado digitalmente (pirata).

Além do HDCP o Vista também é concordante com o padrão AACS (Advanced Access Content System) desenvolvido pela Disney, Intel, Matsushita, Warner Brothers, IBM, Toshiba, Sony e pela própria Micrososft. Este padrão é adotado pela nova geração de DVDs, HD DVD e discos Blue-Ray.

 

DVD

Um ótimo e extenso artigo de Peter Gutmann fala que a utilização dessas tecnologias de proteção de conteúdo afeta diretamente o desempenho do sistema, sua estabilidade e o custo de hardware e software utilizados. Isso nos faz refletir porque o Vista exige máquinas poderosas, e o por que de muitos usuários já estarem pensando em fazer um upgrade sem saber o real motivo para o tal.

Segundo o New York Times, o grupo EMI em contramão aos “avanços” das tecnologias de proteção de conteúdo, está considerando a possibilidade de se vender seu acervo pela internet sem nenhuma proteção anti-pirataria. Os executivos da companhia afirmam que já discutiram propostas de se vender músicas com essas características para parceiros como Apple, Microsoft, Real Networks e Yahoo. Ainda não está claro para a empresa se este modelo de negócio será rentável para a grupo.

Os motivos para a não adoção de softwares anti-cópia são óbvios, pois, cada loja on-line possui métodos de proteção diferentes, sendo assim, o grupo poderá vender suas músicas que serão compatíveis com todos os players e lojas do mercado.

Já nesta terça-feira, 6 de fevereiro, o CEO Master Chief Leader da Apple, Steve Jobs, declarou em uma carta aberta no site da empresa que concordaria em vender música sem proteção digital no serviço de vendas iTunes. Jobs ainda fala em três futuros possíveis para o DRM:

  1. Manter o sistema DRM, mesmo sabendo que somente 3% das músicas de cada iPod são adquiridas no iTunes.
  2. Compartilhar o DRM com as outras empresas de música, o que poderia ser um risco, pois com a difusão do código-fonte, fatalmente acabaria vazando para mãos erradas e perderia o sentido de ser utilizado.
  3. Abolir o DRM. Que seria a melhor solução para o consumidor final, possivelmente, para as lojas de músicas que venderiam mais. É nesta opção que o CEO aposta. Abolir o DRM seria o mais sensato, pois o mesmo nunca funcionou, e talvez nunca funcione, para pirataria, diz Jobs.

Com este cenário percebe-se que parte da indústria do entretenimento “acordou” para a realidade da comercialização de mídia digital, enquanto os outros continuam nadando contra maré e investindo milhões de dólares em softwares e algoritmos que estão fadados a “morrer” ou cair em desuso devido a sua ineficiência.